To be or not to be, that is the question.
É assim que começa o célebre solilóquio de Shakspeare na voz de Hamlet, revelando o grande dilema que a personagem vivia naquele momento da tragédia (3.º ato).

[imagem copiada daqui]
Enfrentamos as contrariedades, as vicissitudes que a vida nos reserva ou suicidamo-nos para não enfrentar as consequências? Ser ou não ser?
Também o professor nos colocou diante do “Dilema de Trólei”: puxas a alavanca ou não? Empurras o gordo, ou não? Salvas uma ou cinco pessoas? E as respostas, para a maioria, foram quase imediatas: salvar cinco em detrimento de uma.
Vai-se para casa acompanhada pela inquietante pergunta :”Eras capaz de empurrar alguém sabendo que vais matá-la?!!!!! Há diferença entre empurrar alguém sabendo que, por esse ato vai provocar a morte de alguém por um comboio? E puxar uma alavanca com similar resultado?!
Será que o transferir o ónus para a manivela minimiza o mal causado?
E chegamos ao ponto do dilema.
Todos os dilemas põem em confronto situações antagónicas onde princípios da vida e de moral se degladiam.
O Homem é por natureza um universo de contradições, porém, regras e condutas o orientam, o que, adaptando Kant, poderíamos designar por imperativos categóricos. Porventura, um dos primeiros é a defesa da vida. Assim se compreende o crime de omissão, isto é, sempre que alguém pode prestar auxílio a outra pessoa e não o faz. A minha reflexão, a posteriori, levou-me a decidir que não tenho o direito de matar ninguém (o gordo, neste caso), nem o devo fazer. Porquê? Porque vou tirar a vida a alguém com a minha ação, voluntária e consciente.
Mas não o fazendo, sacrifico a vida de cinco pessoas? Aqui surge a falácia que por vezes se esconde em respostas aos dilemas. Eu não vou deixar morrer ninguém. A situação em si é que originou essa possibilidade.
Por sua vez, o número não é justificação, pois, como dizia Che Guevara, uma só vida pode valer por milhões de outras, dependendo do que dela se fizer. A vida não se pode medir em número ou por números. A vida impulsiona-nos a decidir pelo que nos parece correto, ainda que pudéssemos ser um dos cinco que pudessem vir a falecer e sofrer as consequências de outros pensarem como eu.
O dilema de Aida
No final de cada aula, o professor brinda-nos sempre com uma música. Desta vez, deliciou-nos com um excerto da ópera de Verdi, AIDA, atormentada, também ela, ao deparar-se com um dilema, o da lealdade: deve ser leal ao seu amor ou ao seu povo?
Entre ver chegar o homem que ama vitorioso ou ver o seu povo escravizado, optou pelo amor (talvez um ato egoísta), e roga-lhe que chegue vitorioso, mesmo sabendo que o seu fado será viver atormentada com o facto de condenar o seu povo à escravatura.
Muitos outros dilemas confrontam a vida!
Mas, talvez a verdadeira liberdade seja este pleno assumir das nossas ações, arcar com as consequências que daí advêm e viver com elas.