Na sessão de 26 de fevereiro de 2026 de A Arte de Pensar e de Sentir, ao entrarmos na sala, que já se encontrava em grande alvoroço e expetativa, devido ao elevado número de interessados, fomos confrontados com uma imagem da pintura de Caravaggio Sacrifício de Isaac.

Questionei-me sobre o motivo desta imagem. Será que tinha que ver com o jogo de luz e sombra, tão presente nas pinturas deste autor?
Projetada a imagem seguinte, de um comboio descontrolado, tínhamos de tomar a decisão de puxar ou não uma alavanca e, posteriormente, escolher salvar uma ou cinco pessoas, mas haveria sempre a morte de alguém. Colocava-se então a questão do que era “certo ou (errado)”. Se puxássemos a alavanca, traríamos a felicidade para um maior número de pessoas, ou seja, decidíamos pelo utilitarismo. Se a opção fosse não puxar, estávamos perante o dever de não matar: a deontologia. A questão colocada estava respondida, pois a imagem do quadro estava relacionada com o tema desta sessão, o Dilema do Trólei.

A discussão foi, como sempre, animada, pois o professor não deixa os nossos pobres cérebros descansar, que é para isso que estamos nestas sessões, colocando-nos novos desafios.
Novo dilema: empurrar ou não empurrar?
O novo dilema seria escolher entre empurrar alguém de uma ponte e dessa forma impedir que morressem cinco pessoas – ou não empurrar, sendo o resultado cinco mortos. Ou seja, estaríamos confrontados com a ação versus omissão ou a razão versus a intuição ou a emoção, discutindo se “toda a criatura racional é obrigada a regular as suas ações pela razão” ou se esta deve ser escrava da “intuição” ou da “emoção”.

O último dilema é-nos apresentado através de uma máquina moral, um carro programado para decidir se embatia num obstáculo ou em cinco pessoas, provocando a sua morte. Todos concordaram que seria embater no obstáculo, mas as perguntas sucederam-se: como programaria o carro? Quem era o responsável em caso de acidente inevitável? As dúvidas iam surgindo à medida que a discussão progredia.

O professor terminou a sessão, como sempre, com um tema musical intimamente ligado ao assunto tratado. Nada melhor que o dueto O terra, addio da ópera Aida, em que “um homem escolhe o amor e paga com a vida” e “uma mulher escolhe morrer para que o amor não morra sozinho”.
Desta forma, terminámos com a relação entre o Dilema de Trólei e Aida e a constatação da ligação temática das diferentes artes.