Dedicámos ao Carnaval — ao Entrudo — a sessão de 12 de fevereiro de 2026 de A Arte de Pensar e de Sentir. A propósito…
Arminda Gomes recorda a origem pagã da celebração e as brincadeiras de jogar farinha, água e lama. E ovos.
No início, o Carnaval era mais sujo e caótico; nas ruas jogava-se aos púcaros e tachos de barro já fora de uso, com o intuito de acabar com tudo o que lá em casa era velho.
Evoluiu entretanto para celebrações mais organizadas como bailes, carros alegóricos e música, ainda que mantendo a quebra de regras e a alegria popular.

[imagem copiada daqui]
É Carnaval, ninguém leva a mal?!
Elisa Rodrigues diz que não é bem assim.
Não gosto do entrudo nem das partidas que lhe estão associadas e discordo da frase “é carnaval, ninguém leva a mal”.
Não tenho boas memórias, pois sempre detestei mascarar-me e ser alvo do arremesso de farinha e de água, brincadeiras comuns, num tempo em que não havia adornos, nem máscaras de heróis da TV, pois nessa altura não havia ainda TV. Recorria-se ao que era possível: as calças e a camisa do irmão, o chapéu do pai, as blusas e saias da mãe e dessa forma meninas travestidas de homens e rapazes transformados em mulheres, lá seguíamos pela aldeia em correrias e brincadeiras, pois era carnaval e sinónimo de diversão.
Já adolescente, recordo o odor nauseabundo de uma bomba de mau-cheiro lançada por um colega numa sala de aula. A professora obrigou-nos a permanecer sentados enquanto chamava alguém da direção. Não houve aula, é certo, mas aquele cheiro e os olhos a chorar, foram castigo suficiente que não perdoamos ao colega que fizera a brincadeira.
No entanto, já adulta, recordo com agrado o desfile, em correria desenfreada, dos caretos na aldeia de Podence; em Espanha, na cidade de Cádis, tive a oportunidade de ver um concurso de grupos com muita música, humor e crítica social. Gostei particularmente desse carnaval! A cidade enche-se de movimento, de som e de cor, pois surge em cada esquina um grupo muito profissional que toca e canta para deleite de quem circula.
Assim, não gosto das brincadeiras do entrudo, mas reconheço valor e qualidade a quem se envolve nas festividades quer para seu divertimento quer para divertimento dos outros.
